A Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa promoveu, no dia 28 de outubro, a sessão online «O que é necessário para tornar sustentáveis os cuidados de longa duração na demência? Pessoas, organizações, comunidade e tecnologia», integrada na 2.ª edição da Semana da Sustentabilidade da Católica.
Dinamizada pela Doutora Carla Pais‑Vieira, Investigadora Principal do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde, a sessão contou com a participação da Dra. Lígia Amaro, Diretora-Geral do Centro Social Paroquial de Argoncilhe, e procurou estabelecer um diálogo entre a evidência científica e a experiência concreta das instituições, dos profissionais e das famílias.
A reflexão partiu de uma questão central: o que tem de existir - e o que precisa de mudar - para que uma pessoa com demência possa receber cuidados dignos e continuados ao longo do tempo, sem que essa continuidade dependa da exaustão das famílias, do desgaste dos profissionais ou da fragilidade das organizações?
A conversa destacou o papel central que as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas já desempenham nos cuidados às pessoas com demência, apesar de permanecerem formalmente enquadradas como respostas sociais generalistas. Entre os desafios analisados estiveram a necessidade de uma articulação operacional com as Unidades Locais de Saúde, a identificação de profissionais ou equipas de referência, a clarificação das responsabilidades entre os diferentes contextos assistenciais e a adequação do financiamento e dos recursos humanos à complexidade cognitiva, clínica, relacional e paliativa.
Foram igualmente discutidos o apoio às famílias e aos profissionais, o acesso atempado a respostas de demência e de cuidados paliativos e a necessidade de evitar que a urgência hospitalar constitua a única resposta disponível perante situações de deterioração.
A tecnologia foi considerada não como um fim em si mesma, mas como um possível instrumento de continuidade. A interoperabilidade e a partilha responsável de informação clínica e biográfica poderão permitir que o diagnóstico, a medicação, a funcionalidade, as formas de comunicação, as preferências e as decisões previamente expressas acompanhem a pessoa nas transições entre serviços e sustentem um plano de cuidados partilhado e atualizado.
Ao situar os cuidados na demência no domínio da sustentabilidade social, a sessão sublinhou que um sistema sustentável não é apenas aquele que consegue manter-se financeiramente. É aquele que preserva a dignidade, o conforto, a relação e a continuidade, sem transferir silenciosamente os custos humanos do cuidado para as famílias, os profissionais ou as instituições.
A reflexão convergiu numa ideia fundamental: a sustentabilidade dos cuidados não se mede apenas pela capacidade de uma organização continuar a funcionar, mas pela sua capacidade de continuar a cuidar bem.